No segundo dia de julgamento, três réus foram interrogados em fórum de Niterói
Evelyn Moraes, do R7
Uanderson Fernandes / Ag. O Dia
No segundo dia do julgamento, os acusados negaram participação no assassinato da juíza Patrícia Acioli
Na terça-feira (29), o ex-comandante criticou as investigações sobre o caso, conduzidas pela Polícia Civil. Lins e Silva disse que Mário Sérgio mentiu ao afirmar que não sabia que a magistrada estava sendo ameaçada pelos PMs.
— O ex-comandante mentiu. Isso é uma mentira, jurados. Ela era odiada por esta banda podre infiltrada na segurança do Estado.
Os acusados Junior Cezar de Medeiros, Jefferson de Araújo Miranda e Jovanis Falcão Junior, que respondem por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, mediante emboscada e com o objetivo de assegurar a impunidade do arsenal de crimes) e formação de quadrilha armada, negaram participação na morte da juíza. Todos os envolvidos atuavam como PMs.
O promotor do caso, Leandro Navega, afirmou que as
teses apresentadas pelos réus foram absurdas e que não poderão ser
avaliadas nem no intuito de redução de pena.
Ao final do pronunciamento no Fórum de Niterói, o
advogado da família da juíza leu citação que Patrícia guardava em seu
gabinete e a entregou à filha da magistrada, Anna Clara Acioli. A frase é
do filósofo irlandês Edmund Burke: "Para o triunfo do mal basta que os
bons não façam nada".
Fim de carreiraO coronel da PM, Mário Sérgio Duarte, irritou a Promotoria, durante o julgamento, ao afirmar que o inquérito que investiga o caso foi muito persuasivo. Para ele, as investigações deixaram de ter o aspecto de revelação, para ser um conjunto de informações que ora está no processo, ora não.
Mário Sérgio Duarte era comandante-geral da Polícia Militar do Rio quando a magistrada foi assassinada, no dia 11 de agosto de 2009. Para ele, o crime pôs fim à sua carreira. Após seu depoimento, Mário Sérgio Duarte precisou de atendimento médico.
Na terça-feira (29), o Tribunal do Júri de Niterói ouviu 13 testemunhas e dois informantes. A magistrada levou 21 tiros na porta de sua casa, em Piratininga, Niterói, no dia 11 de agosto de 2011.
Durante mais de 12 horas, o juiz Peterson Barroso Simão ouviu seis testemunhas de acusação, sete de defesa e dois informantes.
A sentença deve sair ainda nesta quarta. Os três respondem por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, mediante emboscada e com o objetivo de assegurar a impunidade do arsenal de crimes) e formação de quadrilha armada.
O primeiro a ser ouvido foi o delegado Filipe Ettore, que à época estava à frente da Divisão de Homicídios. Ele afirmou que havia um consenso entre os acusados de que seria necessário pagar para assassinar a magistrada. O julgamento ocorre na 3ª Vara Criminal de Niterói, na região metropolitana. Segundo ele, “todos tiveram participação e abriram mão dos espólios de guerra, que era o dinheiro conseguido em apreensões”.
A ex-advogada do réu Jefferson de Araújo Miranda, que é testemunha, também foi ouvida e afirmou que o ex-comandante da PM, Cláudio Luis Silva de Oliveira, apontado como mentor do crime, teria ameaçado os réus que estão sendo julgados pela morte da magistrada, na 3ª Vara Criminal de Niterói. Segundo Ana Claudia Abreu, eles estariam com medo de reafirmar o depoimento anterior.
— Eles estão com medo de ameaças que foram feitas a familiares. Eu tenho medo que o comandante me faça de peneira ou como uma Patrícia Amieiro qualquer, não custa nada. Ele não era um homem qualquer, era um comandante de batalhão e era conhecido como caveira.
O comissário José Carlos Guimarães, da DRF (Delegacia de Roubos e Furtos), mais uma testemunha disse que o comandante Cláudio Luis teria feito uma promessa aos assassinos da magistrada. Segundo a proposta, relatada por Guimarães que investigou o caso, eles seriam levados para outro batalhão onde conseguiriam mais dinheiro.
— A informação que nós temos é que o comandante afirmou que levaria todos para o Batalhão de Bangu, para onde seria transferido. Porque lá seria um local extremamente mais rentável para conseguirem os "espólios".
Restante do grupo aguarda julgamento
Sete acusados do crime aguardam o julgamento de recurso contra sentença de pronúncia, que definirá se deverão ser submetidos a júri popular ou se responderão pelo crime em uma vara criminal comum.
O crime, segundo o Ministério Público, teria sido articulado pelo tenente-coronel Claudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante do Batalhão de São Gonçalo (7º BPM), e pelo tenente Daniel Santos Benitez Lopez. Os dois oficiais foram transferidos em dezembro de 2011 para o presídio federal de Campo Grande (MS). Também foram denunciados os policiais militares Charles Azevedo Tavares, Alex Ribeiro Pereira, Carlos Adílio Maciel Santos, Sammy dos Santos Quintanilha e Handerson Lents Henriques da Silva.
Em 4 de dezembro do ano passado, Sérgio da Costa Júnior, o primeiro a ser julgado, foi condenado a 21 anos de prisão pelos mesmos crimes. Ele confessou participação no crime.
De acordo com a investigação do MP, o assassinato de Patrícia começou a ser arquitetado após a juíza decretar a prisão de Costa Júnior e outros integrantes do GAT (Grupo de Ações Táticas), por ter encontrado indícios de execução em um auto de resistência - quando há morte em confronto e o policial alega legítima defesa - que resultou na morte de Diego Beline, em junho de 2011, no morro do Salgueiro, em São Gonçalo
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