Público poderá se despedir de arquiteto das 8h às 15h, no Palácio da Cidade
Do:R7
Agência Brasil
Do:R7
Agência Brasil
Corpo de arquiteto foi recebido por 48 Dragões da Independência,
no Palácio do Planalto
Após velório aberto em Brasília, no qual autoridades como a presidente Dilma Rousseff prestaram homengem a Oscar Niemeyer, o arquiteto será velado somente pela família durante a noite desta quinta-feira (6) no Palácio da Cidade, casa oficial do Prefeito do Rio de Janeiro, em Botafogo, na zona sul da cidade.
O corpo deixou o Palácio do Planalto, na capital federal, às 19h30 e chegou ao Rio de Janeiro às 22h10. De acordo com a prefeitura, depois de chegar no aeroporto Santos Dumont, ele seguiu direto para o Palácio da Cidade. A imprensa não terá acesso ao velório, que também não deverá receber autoridades.
O público poderá se despedir do arquiteto das 8h às 15h, na sexta-feira. Niemeyer será enterrado às 17h30, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. A informação foi confirmada pela Santa Casa de Misericórdia.
Durante a madrugada desta quinta, o corpo do arquiteto foi embalsamado em um laboratório no bairro de Inhaúma, zona norte do Rio de Janeiro. Nas primeiras horas da manhã, ele foi levado de volta ao hospital Samaritano, onde morreu. Na unidade de saúde, a família realizou uma cerimônia religiosa.
Neto do arquiteto pede ajuda para tirar do papel obras do
O fotógrafo Kadu Niemeyer, neto de Oscar Niemeyer, fez declarações sobre o avô no Twitter, nesta quinta-feira (6), e pediu a colaboração da Prefeitura do Rio para ajudar a tirar do papel diversos projetos do arquiteto mundialmente famoso. Oscar Niemeyer morreu às 21h55 da última quarta-feira (5), aos 104 anos de idade.
— Meu avô durante estes anos projetou mais de 600 projetos, muitos não saíram do papel. Vou lutar para que alguns sejam realizados. Entre estes projetos, tem dois que a prefeitura poderia pensar em fazer aqui no Rio em uma homenagem ao meu avô.
Entre os possíveis projetos que poderiam ser aproveitados pela prefeitura, o fotógrafo sugere um Centro Musical, projetado para o Aterro do Flamengo — que poderia ter outra finalidade –, e a Mesquita de Argélia, ambos da década de 70.
— Temos que manter vivo alguns dos desejos do meu avô. Um deles é a revista Nosso Caminho , editada por ele e a Vera Niemeyer, sua esposa.
A primeira mensagem publicada pelo fotógrafo após a morte do avô foi: “Meu Dindo. Meu amigo. Meu pai. Que lembre que sempre foi amado. E que agradecemos por tudo e pelo brasileiro que foi”.
O R7 entrou em contato com a Prefeitura do Rio, mas ainda não obteve retorno para saber se há a possibilidade da realização desses projetos.
A viúva
A viúva do arquiteto Oscar Niemeyer, Vera Lúcia, afirmou no Hospital Samaritano, na zona sul do Rio de Janeiro, que está muito abalada com a perda do marido.
— Perdi a pessoa que mais gostava no mundo, que eu mais amei, foi tudo para mim. Estou muito fragilizada.
Ainda segundo a mulher de Niemeyer, o objetivo agora é tentar terminar os projetos e sonhos que ele gostaria que se realizassem.
— O único desejo dele era que eu terminasse a revista. Vou editar também o livro dos projetos de arte dele. Eu prometi isso a ele. Quero que ele seja lembrado como uma pessoa digna, honesta e amiga como ele sempre foi.
De acordo com Vera Lúcia, ela ainda se lembra dos minutos que passou durante os últimos dias de vida do arquiteto.
— Ele estava lúcido até o último momento. Chegou a dizer que queria comer pastel e tomar café. Ele dizia que queria ir embora, porque os projetos dele estavam atrasados.
Niemeyer teve apenas uma filha, que morreu antes dele. Deixa quatro netos e 13 bisnetos.
Morte
Aos 104 anos, o arquiteto Oscar Niemeyer morreu às 21h55 desta quarta-feira (5) no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Segundo o médico Fernando Gjorup, a causa da morte foi insuficiência respiratória.
— Ele estava consciente na manhã de hoje [quarta-feira], mas o quadro foi se complicando. Ele precisou ser sedado e entubado, mas não resistiu.
Ele estava internado na unidade desde o dia 2 de novembro. Na terça-feira passada (4), o arquiteto apresentou piora nos exames laboratoriais. O último boletim médico divulgado na tarde desta quarta-feira informou que o estado de saúde do arquiteto passava a ser considerado grave.
Niemeyer havia passado duas semanas internado em outubro passado, após dar entrada no hospital com quadro de desidratação. Em maio, ele esteve internado no mesmo hospital por mais de 15 dias com um quadro de desidratação e pneumonia. Em abril do ano passado, ele já havia passado 12 dias internado no Hospital Samaritano com infecção urinária. Dois anos antes, também no Samaritano, ele passou por duas cirurgias: uma para retirada de pedra da vesícula e outra para retirar tumor do intestino.
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito Eduardo Paes decretaram luto de três dias no Estado e na cidade pela morte de Niemeyer.
Obras
Símbolo da vanguarda e da crítica ao conservadorismo de ideias e projetos, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho é apontado como um dos mais influentes na arquitetura moderna mundial. Os traços livres e rápidos criaram um novo movimento na arquitetura.
Entre as mais importantes obras do arquiteto, destacam-se o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte; o Edifício Copan, em São Paulo; a construção de Brasília; a Universidade de Constantine e a Mesquita de Argel, na Argélia; a Feira Internacional e Permanente do Líbano; o Centro Cultural de Le Havre-Le Volcan, na França; o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba; os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) e a Passarela do Samba, no Rio de Janeiro; o Memorial da América Latina e o Parque Ibirapuera, em São Paulo; e o Caminho Niemeyer, em Niterói, Rio de Janeiro; além do Porto da Música, na Argentina.
Nenhum comentário:
Postar um comentário